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PL do Veneno sob o ponto de vista indígena

 

Cacique Kaingang comenta, sob o olhar originário, os efeitos do PL do Veneno que incentiva o aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil, que hoje se encontra no topo do ranking dos maiores consumidores mundiais.

 

Por Julia Saggioratto, para Desacato.info.

 

O projeto de lei 6299/2002 já aprovado na câmara dos deputados, que pretende flexibilizar o uso de agrotóxicos no Brasil, tramita agora no Congresso Nacional. O projeto conhecido como Pacote ou PL do Veneno, de autoria do atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Blairo Maggi, conhecido como “Rei da Soja” e dono de um grupo ligado ao agronegócio, flexibiliza o uso de agrotóxicos no país atendendo a interesses das grandes empresas ligadas ao agronegócio.

 

O projeto prevê a alteração da nomenclatura de agrotóxico para pesticidas, insumos ou defensivos agrícolas ou fitossanitários, negando o direito do consumidor a informação clara e à transparência. Além disso, possibilita que os venenos sejam liberados pelo Ministério da Agricultura sem que as análises de órgãos reguladores como a Anvisa e o Ibama tenham sido concluídas.

 

O PL foi criticado por instituições como o Ministério da Saúde, o Ministério do Meio Ambiente, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Fiocruz, Ibama, Instituto do Câncer e inclusive pela Organização das Nações Unidas. Informações da Contraf Brasil destacam que o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos em todo o mundo. Cerca de 7 litros de agrotóxico por pessoa, somando um total de 500 mil toneladas consumidas por ano. Produtos proibidos em países da Europa estão entre os mais utilizados por aqui. E o consumo só aumenta agora, inclusive, com incentivo da legislação.

 

O alimento transformado em mercadoria, é submetido, antes do interesse à saúde, ao interesse, sim, econômico. Para Luís Salvador, cacique da comunidade Kaingang Rio dos Índios, localizada em Vicente Dutra, o PL favorece alguns poderosos e facilitará a plantação dos alimentos com veneno. Segundo ele os povos indígenas são contra esse projeto que agride a saúde da população. “Nesse momento é importante consolidar com a sociedade brasileira está ficando doente por várias pessoas do Brasil, principalmente pelo desenvolvimento do agrotóxico no Brasil, a nossa Mãe Terra está ficando doente”, comenta Luís.

 

Segundo o cacique Kaingang os seus antepassados morriam com cerca de 100 anos. Atualmente, devido ao “desenvolvimento” que, segundo ele, é apenas para algumas famílias, os agrotóxicos estão envenenando a Mãe Terra. Luís Salvador declara que o alimento sai da terra doente e pode causar a morte dos seres humanos, contaminando, também a água. “Por isso somos contra ao que está sendo apresentado no Congresso Nacional: os químicos, que são agrotóxicos. Viva o nosso planeta, mas para ele viver precisamos cuidar dele, plantar bastante árvores para que tenha uma vida melhor para a população brasileira e povos indígenas”, declara Luís Salvador.

 

Os povos originários, por sua relação de respeito com a natureza, são um dos empecilhos para o progresso desejado pela bancada ruralista e de seus financiadores, baseados no lucro a partir da subjugação da vida. Há séculos os povos indígenas resistem na construção do bem viver, da manutenção de sua cultura que significa, também, o cuidado da mãe terra.

 

Fonte: Desacato.info