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Em maio de 2017, um grande ato nacional realizado em Brasília, com a participação do Sindprevs/SC, marcou a luta dos trabalhadores e trabalhadoras para garantir direitos do povo, duramente atacados pelo governo ilegítimo de Temer. O relato da jornalista Marcela Cornelli, assessora do Sindprevs/SC, descreve o que foi esse dia:

“A Marcha saiu do estádio Mané Garrincha rumo ao Congresso Nacional. 150 mil, segundo as centrais. 35 mil segundo a mídia burguesa. Um mar de bandeiras coloridas e de variados movimentos, centrais e forças políticas tomaram Brasília. Uma grande demonstração de força. Porém, mesmo sendo uma marcha pacífica, a Polícia Militar já esperava a todos com um arsenal de bombas às portas da casa do povo. 

Algumas centrais como Força e Nova Central passaram pelo bloqueio policial de revista no início da Esplanada. O carro de som da organização da marcha também passou. Nada mais passava. Faixas, carros de som, bandeiras, cartazes em forma de pirulito. Todo mundo tendo que abrir mochilas e ser revistado.

O primeiro bloco a furar o bloqueio da polícia foi o da CSP - Conlutas que avisou de cima do caminhão que iriam passar, que não tinha acordo com a PM. A coluna vinha fechada com blocos de madeira, pintados com frases que pediam o Fora Temer e que serviram de escudo. Escuto um “hu hu hu hu hu” homens e mulheres de escudo na mão, trabalhadores e estudantes dispostos à tudo, a lutar e a morrer por uma causa. Aos gritos de “nenhuma bandeira nossa ficará para trás”, “nenhum companheiro vai parar no bloqueio” e “avancem”, a coluna de trabalhadores da CSP-Conlutas, PSTU, MAIS, correntes do PSOL, juventude, anarquistas, sindicatos e federações que vinham no bloco da esquerda romperam o bloqueio. A marcha então seguiu com suas bandeiras de luta. Mas, do gramado perto do Congresso já se ouviam as bombas.”

Para a realização do ato na capital do país, cerca de mil ônibus partiram de todas as regiões. Era o povo brasileiro nos mais diversos tons e raças, idades, profissões, todos em coro contra as pautas do governo e Congresso e pedindo a renúncia de Temer. A resposta do governo foi uma repressão desmedida, bombas de efeito moral, gás, balas de borracha, cavalaria,m helicópteros, transformaram a esplanada dos ministérios e a área da frente do Congresso nacional numa praça de guerra. No relato da jornalista, o diretor do Sindprevs/SC, Luciano Wolffenbüttel Véras descreve: “Foi um momento histórico para o Brasil. Nunca tinha visto tantos trabalhadores marchando juntos para demonstrar sua indignação e sinalizar ao governo que não vamos aceitar a retirada de direitos e nem tantos marginais no comando do País. Chamar de truculenta a ação da PM em Brasília é pouco. Para os que dizem que eram 50 baderneiros de máscara, informo que eram pelo menos cinco mil pessoas de máscara na linha de frente porque sem isso não havia como chegar perto do Congresso”.

Violência oficial

O presidente Temer editou um decreto autorizando o uso das Forças Armadas contra os trabalhadores e trabalhadoras, estudantes e movimento social presentes na capital federal naquele dia. Assim, as repressão se tornou oficial, como nos piores tempos da ditadura. A brutalidade da polícia fez vítimas graves, como foi o caso do estudante catarinense Vitor Rodrigues Fregulia, do Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC de Araranguá, que teve partes da mão direita decepada ao se defender de uma das bombas arremessadas pela polícia.

Os integrantes da caravana do Sindprevs/SC que estiveram presentes relataram a experiência como um incentivo para a resistência: “Para a diretora Maria Goreti dos Santos, ‘Brasília foi literalmente tomada. Fomos recebidos com muito gás, muitas bombas, balas de borracha e até arma de fogo. Chegamos pacificamente. Resistimos bravamente. Nossas armas eram leite de magnésia, nossas máscaras para aguentar o gás e muita garra. Na minha opinião, o próximo passo é com certeza a greve geral e o fora Temer já.’”

:: Esse conteúdo faz parte da edição comemorativa da Revista Previsão - Especial 30 anos ::

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