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Por Valmir Bráz de Souza, Diretor do Departamento Administrativo e Financeiro do Sindprevs/SC e Diretor da Fenasps

Escrever sobre os 30 anos do Sindprevs/SC, fez meu pensamento viajar na história. Na década de 80, ainda vivíamos os anos terríveis da ditadura, mas a necessidade de lutar por um salário digno (ainda recebíamos complementação do salário mínimo) e por melhores condições de trabalho nos deram a coragem necessária para fundar a Fenasps (Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social) em 1984; e a Acaseps (Associação Catarinense dos Servidores da Previdência Social) em 1986. Quando ainda era forte na memória, a perseguição, prisão e tortura de políticos, artistas, estudantes e militantes; a censura de músicas, livros, conteúdos nas salas de aula e toda forma de organização coletiva, um grupo de lutadores e lutadoras fundava o Sindprevs/SC. Estava criada a principal ferramenta da luta dos servidores da Saúde, INSS, Anvisa em Santa Catarina.

Tudo o que enfrentamos e tudo o que foi feito nesses 30 anos forjaram a nossa essência. Somos feitos de resistência desde sempre. Assim cresceu o quadro de filiados de 200 para quase cinco mil sindicalizados. E o nosso contracheque estampa os resultados econômicos das 19 greves, das lutas incontáveis porque é diária a movimentação do Sindicato em prol dos servidores da Saúde, INSS, Anvisa e cedidos à Receita Federal do Brasil. 

E nunca foi uma luta só corporativa. Sempre participamos da construção dos movimentos unificados ao lado das demais categorias. Nesse momento em que o mundo do trabalho passa por transformações profundas, com a implementação do teletrabalho no INSS, com os encaminhamentos que praticamente privatizam a Saúde pública e a Previdência Social e com a aposentadoria massiva daquela parcela da categoria que fundou o Sindicato, a Federação e encaminhou os movimentos nesses 36 anos de lutas avalio que a nossa história passa por um momento de reavaliação da prática sindical.

Uma parcela da categoria não se reconhece mais no Sindicato. Não participa, não faz parte e, por não conhecer a história do Sindprevs/SC, não possui informações essenciais para reorganizar a resistência dos servidores. Essa reorganização do Sindicato será o grande desafio que temos pela frente.

Uma base de filiados formada por quase 70% de aposentados e pensionistas; servidores que entraram no Serviço Público após 2013 e já possuem a aposentadoria limitada ao teto do regime geral do INSS; essas são apenas
duas das inúmeras características que apontam a transformação da base do Sindprevs/SC. São esses servidores que precisam se apoderar da poderosa ferramenta de luta que é o Sindicato. São eles que vão apontar os novos rumos das lutas.

Com a experiência de quem já lutou muito, com a garra dos que estão chegando vamos repensar o Sindicato, a forma como ele continuará defendendo os servidores e os Serviços Públicos. Os trabalhadores e trabalhadoras da Saúde, da Previdência e da Anvisa escrevem diariamente as páginas da sua história. São eles e elas que dirão, nas suas instâncias de deliberação, como vão resistir à destruição de tudo que foi construído nas últimas décadas e como lutarão pelas próximas conquistas.

:: Esse conteúdo faz parte da edição comemorativa da Revista Previsão - Especial 30 anos ::

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